Deste lado da vida há uma espécie de névoa, uma auréola de quase penumbra que me afasta do sol; às vezes perde-se a vista, perco o sentido, desvaneço-me em nevoeiro, sonhando um novo sol, desesperando nesta quase cegueira, quase não viver, quase ser uma ilha sem sol nem vida que não este viver que se esvai num dia a dia enevoado, pardo, estranho, carente de sentido.

Mas do outro lado da vida, no outro lado de mim, há um sonho que me aguarda, há um qualquer sol que não acendeu ainda a luz da paixão carnal que um dia, futuro, será real, festejando um novo mundo, o mundo de te amar.

Porque do outro lado de mim estás tu, luz que aquecerá a minha ilha deserta, o meu não ser enfim derrotado, acabado, nessa festa de luz que serás tu.Serás tu, seremos nós, seremos luz e vida, calor e fúria, amor de roupas rasgadas, tempestade de corpos que ardem, um mundo inteiro de estrelas cadentes numa dança festiva, cometas em fogo, ressurreição de planetas extintos.

Porque o outro lado de mim és tu!



Com a força impiedosa das ondas do teu mar, a vida afasta-me de ti. Durante muito tempo senti-me navegar contra o vento, lutar contra estas vagas de fúria a que chamamos mundo, extenuando o meu corpo, esgotando as forças do meu peito, à procura de um recanto onde te pudesse encontrar.

Mas um dia descobri que esse recanto estava bem próximo e não mais precisei de lutar; fechei os olhos e encontrei-te. E lá estavam os teus olhos negros que me apaixonaram; as dobras do teu rosto quando sorris, a magia do teu olhar que faz o meu coração palpitar de paixão; os contornos do teu corpo que invento e logo existem na minha mente; a tua pele enfeitiçada pelos deuses da beleza; todos os tons da tua voz que me faz sonhar.

Fecho os olhos e toda a tua luz me refresca a alma. E sorrio porque os teus cabelos me acariciam a alma quando te sonho.

És a luz. És o sol. És a festa que há em mim e que me faz vencer a solidão.

O amor é esta festa de te querer. Amo-te com a lembrança do teu sonho; amo-te apenas com esta memória. Com esta luz com que enches este recanto de mim onde fazemos este amor secreto.

Fica comigo, amarelinha… não deixes nunca de ser este sol de Inverno; este fogo que me faz sorrir.



Amo-te

Se eu fosse Deus…

Criaria um sol apenas para te iluminar, uma estrela, a mais brilhante alguma vez vista, que seguisse todos os teus passos nas noites de desassossego, de dúvida e de tristeza. Inventaria uma fonte de água pura que saciasse toda a tua sede de viver.

Dar-te-ia forças para quebrar todas as correntes que te prendem; faria com que das tuas costas nascessem asas de anjo branco que te fizessem voar até aos limites da felicidade.

Se eu fosse Deus…

Faria com que sorrisses quando te apetece chorar; levaria para muito longe todos os que semeiam tristeza no teu coração; encheria a tua alma de esperança e faria com que acreditasses na tua beleza; na tua luz. No imenso rio de luz que emana de ti, mas que tu não vês porque te querem esconder entre sombras.

Se eu fosse Deus…

Criaria uma ilha maravilhosa, onde só os pássaros fossem testemunhas do nosso amor; levar-te-ia comigo e juntos construiríamos o Olimpo do nosso amor. Só o sol, as árvores e os pássaros testemunhariam os nossos corpos unidos na areia, desenhando um coração único que seria meu e teu.

Se eu fosse Deus tu serias a minha Deusa. Juntos inventariamos algo superior aos homens, ao Universo e a todos os deuses: o nosso infindo amor.

Mas, afinal, sou apenas aquele que te ama. Apenas? Não! Já somos deuses, amarelinha! Deuses de nós e desta força imensa que nasceu nos nossos corações. Deixa-me amar-te! Deixa-me ser feliz apenas neste sonho!







Ela não era mais do que uma luz ténue para lá de todas as constelações.
Ela estava longe.
Ele estava só.

Ela era apenas um grão de poeira cósmica na distância das constelações que a coroavam.
A distância doía-lhe. Mais do que os milhares de quilómetros, doía-lhe a ausência de um olhar, o apenas inventar de um sorriso, a imensa vontade de lhe criar um rosto. Acariciava-lhe os cabelos sem que os seus dedos sequer os pudessem imaginar; os seus beijos não eram mais do que meras vontades; gestos vazios, sem corpo, nem sequer uma imagem. E as forças que vêm do corpo, as ondas de paixão que emanam do desejo, essas morriam ao nascer, como vagas de um mar de verão, quando a estranha paz do oceano as aquieta.
Tudo era distância, ou uma espécie de nada. Sem rostos, pele nem sentidos, restava o vazio.
No entanto, era nesse vazio, no fundo desse poço onde nem a luz ousava entrar que ele encontrava uma espécie de paz. Tudo era um imenso nada que o fazia sorrir. A saudade de um futuro nem sequer sonhado era suficiente para que ele respirasse fundo e sentisse algo de inexplicável a que ele ousava chamar felicidade.
Lá fora, o mundo era material, físico, palpável. Lá dentro, no fundo da sua alma, o vazio e a escuridão envolviam o templo que guardava tudo o que era ela.

Tudo o que tu és, meu amor…
És o meu amor no templo da minha escuridão.
A Senhora dos meus sonhos.
E sou, afinal, um homem feliz.



de ti

A vida, desfeita do teu perfume e desfasada de ti, é apenas a sombra escura, tétrica, de árvores secas, de montanhas estéreis de rios que secaram numa paisagem que morreu.
A vida, desfeita do teu olhar e desfasada da tua pele, é apenas um eco vazio, um som cavo, fútil, esvaziado de tudo.
A vida, desfeita da tua voz e desfasada do teu amor, é apenas a morte que ecoa sem piedade ao fundo de um túnel construído de trevas, um vazio esventrado na montanha íngreme da solidão.
Mas é na escuridão do meu silêncio que oiço a tua voz;
É na imensidão do mar que nos afasta que encontro o teu olhar, afagando a minha face esquecida;
É na brisa desse teu mar distante que sinto o teu perfume;
É no nevoeiro da distância que sonho o teu olhar, a tua pele, a tua voz…
É na lonjura dos nossos desencontros que a minha fé ganha sentido;
É no desespero da distância que o sonho faz nascer esta vontade, este desejo de habitar na luz que, distante, chega dos teus olhos.
É de ti que vivo; é de ti que tudo nasce; e é por ti que existo…



O amor não mata a saudade como o sol não seca os rios… a saudade é a beleza de amar sem corpo, sem recompensa.
A saudade é a beleza de uma paisagem sem sol, no entanto encantadora.
Ter saudades de ti faz-me lembrar a luz do amor que os teus olhos me enviam. Os teus olhos negros e distantes, tristes e únicos porque feitos do sal do teu mar, da lonjura das tuas ilhas, da melancolia do vento que me traz notícias de ti.
Este sonho de te ter, alimentado pelas brisas que falam de ti, por este luar que é o brilho intenso dos teus olhos, o mel que os teus lábios apenas sonhados me deixam na face; nesta face carente dos teus dedos, nesta pele que chora pelo teu carinho, neste coração que lamenta em lágrimas dolorosas o teu corpo perdido ou nunca conquistado.
És Amor, és saudade, és tristeza e alegria intensa, és luz brilhante de todos os sóis do Universo, és a quimera de uma felicidade nunca vivida, és tudo, és o mundo, és o meu Universo…
Amo-te…



Renoir



Quero ser o sol e a lua
O sol para te acompanhar no dia
A lua para te ver e guardar nos sonhos
Irradiar-te, iluminar-te...

Também quero ser a chuva
para te sentir e tocar
O vento para te beijar, refrescar
Enfim,
quero...

Antlia



Death and Life
Gustav Klimt
.
Saudade - O que será... não sei...
procurei sabê-lo em dicionários antigos
e poeirentos e noutros livros onde não achei
o sentido desta doce palavra de perfis ambíguos.
.
Dizem que azuis são as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e mãos.
.
Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe - tão longe! - de minhas redes tranquilas.
.
Saudade... Oiça, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
Não... e me treme na boca seu tremor delicado...
Saudade...



Sobre o quadro "Liberdade" de Pablo Picasso:
Liberdade é o direito de voar
Ser livre é viajar em asas coloridas sob o céu do teu coração
Liberdade é este querer-te, este sonho aberto sobre as nuvens
Ser livre é querer-te sem cadeias, correntes nem barreiras
Liberdade é poder abraçar-te ainda que em sonhos
Ser livre é poder dizer-te o meu amor
Liberdade é este desejo do teu perfume
Ser livre é esta vontade de respirar a luz que vem dos teus olhos
Liberdade é este sonho de ti
Ser livre é querer ser apenas um pedaço de ti
A Liberdade és tu
Porque só tu és o sonho real desta alegria de viver; só tu és feita das cores do arco íris; só tu és este sonho vivo que me aquece o peito, me enche o coração do amarelo vivo de ser feliz.
Obrigado, por seres.















Beijo:
.
ardente;
entrega;
sôfrego;
devaneio;
carinho;
fugido;
escondido!
.
Eis os sentimentos que se despoletaram na minha mente quando olhei os beijos dos diferentes artistas.
Tantos são os "sentidos" do beijo
O beijo, ora quente de entrega total, ora frio, desprovido de amor sem sentido, mas ainda assim dado, roubado, arrancado...
..
Ou ainda como refere Paul Verlaine nos seus versos em "Il Bacio"
.
"O Beijo! malva-rosa em jardim de carícias!
Vivo acompanhamento no piano dos dentes
Dos refrãos que Amor canta nas almas ardentes
Com a sua voz de arcanjo em lânguidas delícias!
.
Divino e gracioso Beijo, tão sonoro!
Volúpia singular, álcool inenarrável!
O homem, debruçado na taça adorável,
Deleita-se em venturas que nunca se esgotam. (...)"
.
O beijo:
devia ser sagrado aos que amam
aos que confiam
aos que adoram
e renegado aos que farsam!
.
Beijo:
gesto intemporal de romance e paixão




A dor que devora a alma solta-se do peito, irrompe na garganta faminta de ódio, solta-se, aguda, na voz do desespero!

A angústia e o medo, o terror talvez apenas de ser. A aflição que, maldita, sai mas fica sempre… negra, terrível, medonha!

Agonia, sofrimento, tudo num grito único, estridente, feroz… um grito de quem, despedaçado, nada mais pode ser que uma única e solitária mancha de dor.

E até o céu esmaga a alma em tons de desespero, tempestade impiedosa da revolta…

Manchas de tumulto, de atrozes sofrimentos, de vontades indómitas e reprimidas e todo um mundo que não serve, não apazigua esta revolta, não ilumina este ser atormentado, negro, horrível, disforme.

Um corpo e uma alma feitos em pedaços, apelando talvez a Infernos profundos porque de Deuses não pode vir bonança quando o desespero venceu…

Talvez lá longe, muito atrás de mim haja uma espécie de paz! Ou de morte, tanto faz! Talvez lá longe, muito longe, pudesse eu calar este grito e aplacar este tormento. Mas mais alto, mais forte, mais poderoso é o medo. Eu sou o terror de mim, o carrasco que lento e em risos sádicos aperta os grilhões do desespero. Não durmo, não sou, não falo, não vivo… grito! Desespero! Solto ao vento este grito de terror, este apelo último à fúria que resta!

E a vida… a vida é uma ponte insegura, trémula e frágil… uma ponte onde vagueiam seres indefinidos, ausentes, esses, os outros, o Inferno de Sartre, as sombras de Platão, as almas de Dante… os outros, esses seres errantes, malditos… fujam de mim, malditos!

Céus de dor e maldição, caiam sobre mim e devorem esta dor! Rios de lágrimas revoltas em tempestades de negrume, arrasem este desespero, mergulhem-me na paz dos Infernos, destruam estes, os outros, que vagueiam como ciprestes!

Texto de Zeus




Arte e café.

Eis um belo tema. Se adicionado tivermos "Mona Lisa" melhor ainda :)

"Mona Lisa", a mais famosa e conhecida obra de Leonardo Da Vinci. Quem não a conhece?
Uma obra famosa por inúmeros aspectos, quer pelas questões levantadas (o que representa? Se o sexo feminino, se o masculino, se Leonardo realizou um auto-retrato) quer pelo seu valor e pelas reproduções feitas que são inúmeras e por vezes adaptadas...

Sendo as reproduções fiéis ou sofrendo alterações, o facto é que continuam a ser inspiradas na "Mona Lisa" de Leonardo Da Vinci, algumas até são bastante originais, como esta: "Mona Lisa" com café.

Não deve ter sido tarefa fácil, pelo que, foi neste quadro que Leonardo Da Vinci desenvolveu e aperfeiçoou a técnica Sfumato*, que se traduz "em gerar gradientes perfeitos de luz e sombra de um desenho ou de uma pintura"* Daí que as 3604 chávenas de café de diferentes tonalidades e quantidades na elaboração do referido quadro, devem ter constituído um enorme desafio para os seus autores.
.
Os autores do evento, estão sem dúvida, de parabéns!

*Fonte Wikipéida




Um passeio pelo campo,
um querer e não querer ir
um saber que me vou perder em ti.
Porém o desejo é mais forte
por entre os verdes verdes de esperança,
esperança, feliz e ingénua
brancura sã.
A segurança da tua mão,
da tua voz,
das tuas promessas,
do teu sorriso.
Será que quero ir?
A duvida impera em mim,
a certeza em ti.
O desejo,
o risco de estar.
Vou!
Deixo-me ir
Sei que me levas para longe de mim,
para perto de ti.
Em ti completo-me,
sinto-me feliz,
sentimo-nos felizes...




Doze girassóis, doze vidas cortadas, alegria aprisionada na jarra da vida.

Doze vidas que se extinguem, lentamente, inexoravelmente.

Os amarelos de Van Gogh, daltonismo para alguns, alegria para a minha alma, esvaem-se neste quadro, empalidecidos, tristes, aprisionados.

Distantes do campo onde cresceram, adquirem a tristeza da liberdade perdida, voltam-se para o chão da vida, obedecem passivos às leis da jarra, as leis dos homens.
Assim é a arte, assim é a vida.

Ainda assim, há os que resistem; os que recusam a palidez e assumem, altivos a pose do vencedor.
No entanto, tudo é efémero e a morte triunfará; em breve serão pó.

O amarelo dará lugar à cinza.

Mas o mundo persistirá; com novos girassóis e novas prisões; novos amarelos dos campos de Van Gogh. Por mais que o mundo os agarre, os oprima e os vença, os girassóis resistirão.
.
Como dizia Pablo Neruda, “a primavera é inexorável!”.
.
Texto de Zeus



...reza a história que....
.
Dejanira, a terceira esposa de Hercules, havia sido prometida ao deus do rio Aqueloso, no entanto, Hercules derrotou-o e assim ficou com a sua amada.
Ao tentar deixar Calidon, Hercules e Dejanira não conseguem atravessar o rio que se encontra em fúria.
Assim, Nesso centauro, oferece-se para ajudar a bela mulher a ir para a outra margem. Contudo, leva-a, mas não volta para ajudar Hercules, tenta fugir com Dejanira.
Hercules, furioso, luta com Nesso ferindo-o.
Por sua vez, Nesso no leito da morte, oferece à esposa de Hercules a sua veste ensanguentada dizendo tratar-se de um talismã capaz de trazer de volta os maridos infiéis. Assim, quando Dejanira desconfia da fidelidade de Hércules, dá-lhe o robe de Nesso para que este o vista, originando deste modo a sua morte terrena.
Os trabalhos de Hercules asseguraram-lhe a imortalidade no Olimpo, assim assumiu o seu lugar junto aos Deuses imortais.
.
...o que me transmite o quadro...

.
Nesso,
fuga
liberdade
luta, luta por algo que se quer muito
luta sem medo
risco
risco de vida
risco incessante
.
não conhece o medo
nem o aprisionamento e o conformismo
apenas a esperança da felicidade, a coragem!
.
Dejanira,
Tormento
aflição
aprisionameto
medo
terror




Nota Prévia – Por diversos motivos, abster-me-ei de fazer qualquer interpretação formal, tanto histórica como artística. Limitar-me-ei a expor as impressões, sensações e emoções que esta soberba obra de arte me provoca. O que escreverei nada tem de “verdade” ou de “cientificidade”. Apenas o que vejo e sinto…

1- Duas mãos que se aproximam, suave e lentamente; ser criador e ser criado, Deus e Adão, Homem e Deus, uma junção desigual, dois seres inigualáveis, juntos numa aproximação ao mundo dos sentidos.

Um dedo indicador prestes a tocar o outro; o momento sublime de dois corpos que antecipam a magia do toque; vontades suaves de transcendência; a ânsia do toque físico que completará a unidade já formada pelo Espírito. O humano completará o divino que sempre existiu, no domínio intemporal do sagrado.

O amor completado pelo toque; o sagrado e o mundano unidos pelo acto da criação; a perpetuação da vida através do toque.

Dois seres, duas dimensões… um ponto de contacto… o toque que se adivinha e não precisa existir… a unidade estabelecida… a ordem do cosmos em duas mãos que se unem.

2- Afastemos agora um pouco o olhar:


O velho de barbas brancas com o qual Miguel Ângelo inaugurou a nossa imagem de Deus; o homem, o pintor, o assalariado, criou o Deus que a humanidade venera; o criador criado pelo operário. Adão, o antepassado do homem, ao mesmo tempo criado e criador. Despido, ingénuo, ele é o verdadeiro todo-poderoso, o centro do Universo.

Adão é a imagem serena de um homem submisso; no entanto, o seu peito está cheio de força; o seu poder, criador e destruidor, sobrepor-se-á ao velho de barbas brancas.

Por trás do homem das barbas brancas há outros seres; olhar inquieto e formas indefinidas: o medo de não ser, de não existir; em breve serão humanos e tomarão a serenidade do rosto de Adão. A serenidade de existir, o corpo completo, a dimensão física que os levará ao paraíso da vida; dos sonhos e sofrimentos; do mundo sagrado do humano.

3- Um pouco mais ao longe…

Adão e Deus (sagrado e profano na unicidade do humano) rodeados de vida.
Acima da criação de Adão, a criação de Eva e a Expulsão do Paraíso. Imediatamente abaixo, Deus separa a terra da água e, logo a seguir, a criação do Sol, da Lua e dos Planetas.

O homem, centro do cosmos, vê-se rodeado do profano que o criador lhe ofereceu. O mundo já não é o paraíso celestial; é carne, é vida, é concreto, material.

O homem, ser criado, deixará em breve de ser submisso; agora, tudo lhe pertence. A sua força transformará a criação.

De ambos os lados, os profetas, homens também eles, testemunham a partilha de poder e a afirmação do mundo nas mãos do ser humano.

4- E a obra do mestre completa-se:


À medida que nos afastamos do centro, a imagem de Deus altera-se; o tom é de ira – o dilúvio. A ira de Deus manifesta-se poderosa e vingativa. Os homens já não são os seres ingénuos e belos da imagem de Adão.


Na mente do Mestre, estava a vontade de gritar contra a esses homens que destruíram a beleza. Um dia, o papa sugeriu a Miguel Angelo que ornamentasse a pintura com cores vivas e tons dourados. O Mestre respondeu que os patriarcas e profetas não foram homens ricos mas sim homens santos que desprezavam a riqueza.

Mais tarde, num painel lateral da Capela Sistina, Miguel Ângelo pintou o Juízo Final: a última palavra seria, afinal, de Deus. O Homem, ser belo e radioso, entregar-se-ia à fúria divina, devido à sua soberba, porque não soube viver a simplicidade do toque sagrado que lhe deu origem.


Talvez o homem devesse regressar à simplicidade, à beleza de um toque, ao amor sagrado e profano que esteve nas origens e deveria estar no seu destino; um simples toque… a alma e o corpo em dois dedos que se unem, sem tempo,
sem pecado… com amor…

Texto de Zeus



As cores têm este dom de nos despertar emoções e, ao mesmo tempo de as espelhar.
Uma mancha amarela; vigor, força, alegria, festa, vontade de viver. O querer no centro do ser; a vida em todo o seu esplendor.
Este amarelo desperta-me os sentidos, faz-me viver; é a cor do mundo, quase diria a cor de ser feliz.
Mas para lá desta alegria, desta energia que emana das vontades há um verde subjugado; derrotado, expulso. Talvez a paz perdida ou a tristeza renegada. A vida vence, a tristeza esvai-se.
Ao longe, como que projectado no espaço, o azul do céu; o desejo do infinito pairando muito acima da vida; talvez a alegria de ser e de viver só faça algum sentido se não perdermos de vista um infinito, bem visível e real ainda que distante.
A pintura de Kandinsky tem o imenso mérito de nos deixar sonhar; este quadro, o meu preferido do grande mestre russo, é fonte de energia; a a vida no centro do ser; é a derrota definitiva da tristeza.
"O renascimento da ordem"... :)
.
Texto de Zeus



.Amarelo, Verde e Azul
Vassili Kandinsky
.
Kandinsky (1866-1944) pintor russo, pioneiro Ocidental da pintura abstracta.
Nas suas obras, a alusão às formas geométricas é quase permanente, no entanto a contrastar com a rigidez destas, há também a mistura das formas moldavéis e flexíveis. O apelo à cor é uma constante na sua arte.
Influenciado pelas óperas de Richard Wagner, Kandinsky disse:"as cores são a chave, os olhos o machado, a alma é o piano com as cordas".
.
.
(...reflexão...)
.
Amarelo, Verde e Azul...
mergulho na confusão, nesta abstracção de cores e formas
parece que me afogo, que morro que me deixo ir...
mas há algo que me prende, que me segura, que me puxa para a vida...
olho em volta, vejo de outra forma as formas que me rodeiam e que desfilam sem parar...
que significado?
são luz, são vida, são o renascimento da ordem, do sentido, da "claridade"...



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